Vale a pena passar o Ano Novo (Réveillon) em Milão?

Serei sincero em lhes dizer que jamais esperei passar o Ano Novo em Milão, minha real intenção era de chegar na Itália no dia 31/12, alugar um carro e partir diretamente para Veneza, onde realmente há uma tradição especial de Ano Novo.

O fato é que quando não programamos uma viagem com suficiente antecedência as coisas muitas vezes terminam não sendo como esperávamos.

Duomo di Milano
Duomo di Milano (Catedral), palco principal de nosso Réveillon na capital da moda.

Ao confirmar nossa partida para a Itália somente nos primeiros dias de Outubro (3 meses antes) nos deparamos com um pequeno problema, todos os hotéis pagáveis em Veneza já estavam lotados (considere pagável 150 euros/noite), a exigência era de 3 noites, portanto gastaríamos no mínimo 450 euros em hospedagem.

Sendo assim, abortamos missão e começamos a nos conformar com passar a virada na capital da moda, esperávamos claro uma noite de glamour, mas não foi bem assim.

Ao sair do aeroporto em plena uma hora da tarde, tudo muito calmo, a cidade estava totalmente vazia e não demonstrava o que nós iríamos encontrar durante a noite. Fomos diretamente para o hotel, para chegar lá pegamos um trem no aeroporto e paramos na Stazione Porta Garibaldi, muito próxima de nosso hotel (Holiday Inn).

Deixamos as bagagens, tomamos banho e perto das 5 horas da tarde partimos para a região da Catedral (Duomo), pegamos um “Tram”, que é um meio de transporte muito popular e barato em Milão (trem elétrico por €1,50 por pessoa). Chegamos lá perto das 5h30 e já havia uma boa quantidade de pessoas, já era noite também.

Uma capital sem show de fogos…

Ficamos deslumbrados com a Duomo especialmente brilhante durante a noite, toda iluminada e repleta de pessoas.

A Duomo di Milano é uma catedral muito linda, com muitos detalhes que publicarei em outro post, falando sobre minha excelente experiência em Milão, mas meu assunto neste artigo é comentar o que vivi no ano novo daquela cidade.

Duomo di Milano
Eu (André Darugna) e minha esposa (Karen Loreiro) em frente ao ‘Duomo di Milano’.

Bom, com o passar das horas soubemos que ali não haveria show de fogos nem nada especial, por recomendação policial fomos caminhando ao Castello Sforzesco que se encontra muito perto, foram 15 minutos de caminhada.

No meio do caminho conhecemos um casal da Nova Zelândia, ao lado deles caminhava um marroquino, nada contra nenhum cidadão daquele país, porém, algo cheirava mal.

Karen, Nicky e Andrew em Milão
Karen (minha esposa) com a Nicky e o Andrew.

Depois de 3 minutos caminhando com eles rumo ao Castello Sforzesco perguntei em inglês à garota se o conheciam, ela com cara de desesperada me comentou que ele os estava seguindo havia tempo.

Fomos seguidos em Milão

O marroquino tentava interagir, não falava nada de inglês e arranhava no italiano, eu que no meu primeiro dia de Itália não trocava nem 5 palavras seguidas comecei a me preocupar com a situação. Me enchi de coragem e tentei dialogar, perguntei o que ele fazia na Itália e perguntei se ele estava ilegal no país, se nunca teve problema em relação à isto, sem embargo o cidadão me comentou que vivia ali há 20 anos, tinha esposa e filha italianas, mas elas não estavam com ele.

Perguntei se ele passaria o ano novo sozinho, ele disse que sim, ao questionar o motivo o telefone celular dele tocou. Era a prova de que só passaria sozinho se ele quisesse.

Seguimos caminhando e ao chegar ao Castello Sforzesco uma grande e desagradável surpresa, havia somente meia dúzia de pessoas mais perdidas que nós, por sorte, havia uma viatura da polícia, mas que aparentemente estava com mais medo do que a gente. Um dos policiais nos informou que o evento havia sido cancelado.

O que faríamos para nos livrar do marroquino que nos seguia? A situação começou a ficar clara quando vimos que ele se distraiu, rapidamente começamos a caminhar de volta ao Duomo.
Castello Sforzesco
Eu e minha esposa nos jardins do Castello Sforzesco.

No caminho paramos com o casal da Nova Zelândia (Andrew e Nicky) para tirar fotos, comprar Champagne e algumas cervejas, afinal, era ano novo e ninguém é de ferro. Eis que o tal seguidor nos alcançou, nos convidou para ir com ele ao “I Navigli”, que é uma região cheia de restaurantes e pubs. Decidi que seria eu quem daria um basta naquilo, respondi que nós quatro estávamos voltando ao nosso hotel e que desejávamos à ele um feliz ano novo, passei a mão e tecnicamente expulsei o cara, que sem jeito seguiu em outra direção.

História estranha não é mesmo? Mas calma, ela está apenas começando…

Voltamos à Piazza del Duomo e a mesma já estava colapsada, o mais engraçado é que quase não conseguíamos encontrar italianos, e os que encontrávamos não tinham cara de bons amigos.

A praça estava cheia de estrangeiros, não sou um bom conhecedor dos países do Médio Oriente, mas pareciam árabes, talvez nem eram de lá, poderiam ser também marroquinos como o que nos seguiu anteriormente. Nada contra as pessoas, volto a dizer, sou contra a atitude nada divertida de passar o ano novo.

Bombardeio na Piazza del Duomo em Milão

O que acontecia é que situação estava perdida, eram muitas pessoas e estes cidadãos atiravam bombas e rojões fortes sem o menor cuidado, flagrei que eles nos jogaram de propósito uma destas bombas e ela explodiu em meu pé.

Piazza Duomo Capodanno
Pessoas lançando rojões e bombas coloridas no ano novo.
Piazza del Duomo Milano
Jovens de Milão preparando rojões na Piazza del Duomo.

Imagine isto acontecendo durante horas, a assistência policial pouco ou nada fazia, ao consultar um oficial ele me respondeu:

“A situação é perigosa inclusive para nós, não podemos fazer nada”.

Dito e feito, eles se juntaram num cantinho e ali ficaram.

Já eram 23 horas e cada vez aquilo era pior, não havia nenhum fogo de artifício, muito pelo contrário, beleza zero e perigo a milhão, resolvemos abandonar a praça e entramos no Burguer King, que era um dos poucos lugares abertos e um bom local para refugiar-nos daquilo que parecia um campo de guerra.

Passamos a virada lá dentro mesmo, compartilhando a mesa com dois casais de jovens italianos oriundos de Turim, cidade que adoro por ser a terra da Juventus (meu clube italiano).

Jovens de Turim
Jovens de Turim que compartilharam a mesa no BK conosco na virada 2012/2013 em Milão.

Ao brindar e beber o champagne partimos de volta ao hotel, mas, como essa história não poderia deixar de surpreender, o Tram estava lotado e a situação totalmente fora de controle.

Brindamos, terminou a festa? Mmmm na na ni na não…

Para terminar a noite presenciamos um casal de italianos brigarem com uma família de orientais, pai, mãe e dois filhos pequenos. A italiana estava totalmente bêbada e os ofendia verbalmente, o senhor italiano ao se dar conta de que haviam crianças começou a tentar apaziguar. O oriental certamente vivia na Itália há muito tempo pois respondia em perfeição e muita educação em italiano.

Após descerem estes orientais outra briga, o mesmo casal italiano começou a ofender uma mulher, certamente estrangeira, que também foi humilhada, demonstrando que na Itália há uma rejeição enorme para com os imigrantes.

Acredito que seja um problema social, a crise na Europa pegou pesado e com isso muitas pessoas perderam seus empregos, o que já seria difícil para os italianos por eles mesmos, ficou ainda pior em razão da quantidade de habitantes ilegais, ou até legais, mas que na concepção racista deveriam estar em seus países.

Não se esqueça:

  • Podemos pegar um trem no Aeroporto de Milão (Linate) para o centro da cidade (não pague táxi!)
  • A Catedral da Milão (Duomo di Milano) é lindíssima de noite
  • Não vale a pena mover-se de carro em Milão, use o TRAM (trem elétrico) ou o Metrô
  • Holiday Inn de Milão (Garibaldi) é um excelente hotel econômico e ao lado de uma estação de trem
  • Você só terá uma viagem “redonda” se programar com bastante antecedência
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* Preço válido no dia da publicação, sujeito a variação sem aviso prévio.

Conclusão / Opinião

O Ano Novo em Milão foi uma grande decepção para quem acabava de aterrissar na terra de seus antepassados, cheio de ilusões e maravilhado pela beleza da capital da moda.

Apesar disso minha experiência em Milão foi fantástica, somente passar a virada do ano lá não foi nada divertido, mas esta é a minha história.

Você já viajou à Milão? Teve a oportunidade de passar a virada do ano lá? Comente, adoraria conhecer sua experiência.

3 COMENTÁRIOS

  1. Olá tudo bem ?estou em Veneza pois o intento era passar o ano novo Aqui, mas vi seu post e achei super interessante !
    Tem algumas fotos na viradas para que possamos ver ?

    Aguardo ..obrigado

  2. Oi, André, parabéns pelo seu post. Vou a Milao em outubro e estou fazendo a programação através de seus muito úteis comentários. Você me fez recordar a minha experiência no Duomo no reveilon de 2012. Só tenho uma palavra: apavorante! É tudo o que você relatou e muito mais. Eu, meu marido e meu filho, que estava morando lá. Ah … E os imigrantes e as bombas! Muitas bombas … Inclusive a que me atingiu na barriga, queimando a blusa de la, a ponto de fura-la e se entrar na pele, me queimando com profundidade. Tenho a cicatriz até hoje! O que não falar da volta para casa! Não havia taxi e o bonde, quando voltou a funcionar, superlotado, nos largou no meio do trajeto, em lugar ermo, e voltou para a garagem. Quando, enfim, conseguimos chegar no apartamento, gelados e cansados, só um banho quente e a sensação de ter sobrevivido aquele horror. Saudades da minha casa e da virada do ano na praia! Mas, já que estávamos na bela Milão, nada como comemorar o ano novo com um champanhe e uma boa garrafa de Belinni! Pode não ter sido a virada de ano mais segura que já passei em minha vida, mas, com certeza, foi a mais inesquecível! Se você tivesse a oportunidade de me perguntar, eu diria: não vá ao Duomo nem ao Palácio na noite do réveillon, porém essas são experiências que qualquer viajante pode se lembrar para sempre, afinal, o que é uma viagem sem emoção! Não tem graça se não for inesquecível, não é mesmo. Um forte abraço!

    • Eu meu marido e minha filha de 21 anos passamos o Réveillon de 2013/2014..que decepção… Tínhamos alugado um apartamento onde fizemos nosso jantar pois não fizemos ceia…..pegamos o tram e chegamos em Duommo as 21 horas…a praça foi enchendo…tinha um show de música italiana.. Estava bom….mas tivemos que entrar no Burguer King por conta dos malditos rojões… Deu meia noite eu queria muito ir embora..mas levamos quase uma hora para chegarmos no ponto do tran que era a 80 m de onde estavamos..tipo fila indiana…quando chegamos no ponto…os trans não paravam por conta dos rojões que jogavam aos nossos pés…horrível…. Mas eu entendi uma coisa..tem que ter grana …pois eu olhava para cima e via os restaurantes chiquérrimos no primeiro andar e as pessoas muito bem vestidas brindavam olhando pelas sacadas…alheias a todo o horror que estávamos sentindo…Milão é maravilhosa..mas no Réveillon.. Nunca mais!!!

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