Há mais de duzentos anos, no século XVIII, o escritor e pensador inglês Samuel Johnson escreveu com muita propriedade: “quando um homem está cansado de Londres, ele está cansado da vida”. A capital do Reino Unido permanece, em pleno 2017, como um destino turístico fantástico para todos os tipos de pessoa. Os que vão até a maior cidade da Grã-Bretanha muitas vezes se perdem entre os próprios planos, mergulhando de cabeça nas milhares de coisas que a cidade pode oferecer. Um homem pode ir até Londres com um só intuito – ver a Rainha? O Tâmisa? E sair de lá com muitas outras atrações conhecidas por conta da imensidão de coisas para fazer.

A cidade carrega em cada um dos seus prédios uma aparência de sobrevivência histórica. Caminhando pela Regent Street, sua cabeça começa a imaginar qual era a função de cada um daqueles edifícios antes de virarem lojas e residências; a pensar em como eles sobreviveram tão bem à ação do tempo, dos reinados, das guerras. Londres é fascinante por ser praticamente uma “casca” de cidade histórica preenchida por uma multidão étnica diferente. É um caldeirão cultural, uma metrópole global e considerada por muitos a capital do mundo. Você pode visitar um lugar histórico como o Spitalfields, virar duas ruas para a esquerda e encontrar uma rua toda adornada com tecidos, cores, bandeiras e aromas de Bangladesh, andar mais três ruas e dar de cara com uma construção de mais de 900 anos.

É inevitável, de verdade, executar à risca todos os planejamentos que você traça antes de pisar na cidade, especialmente se você for marinheiro de primeira viagem na capital do Reino Unido. Por isso, organizamos para você um roteiro básico e fundamental, dando espaço para você explorar a cidade por si mesmo e não deixar de fazer o básico do turismo na capital inglesa – e dá para fazer muita coisa em três dias.

Como chegar em Londres – Chegar em Londres é uma missão para lá de fácil. O principal aeroporto da cidade, Heathrow, é o sexto mais movimentado do mundo, recebendo vôos de todos os países. Mais importante do que isso, dentro de um dos terminais, você já pega o cultuado metrô de Londres, pela Piccadilly Line, chamado carinhosamente de tube. É a maneira mais fácil de sair do Heathrow, certamente. Falaremos um pouco melhor do metrô logo mais.

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Há dois outros aeroportos nos arredores de Londres, o Gatwick, que também faz vôos internacionais, e o Luton, mais dedicado aos trajetos mais curtos. Vindo do Brasil, é muito provável que você vá direto para o Heathrow e desfrute do metrô. Mas se for por Gatwick, não se preocupe! Há um trem que parte do aeroporto e vai para o coração da cidade, na Victoria Station, que também conta com uma estação de metrô na Victoria Line.

Movimentando-se em Londres -O metrô de Londres tem sua fama não por acaso. O Underground cobre parte substancial da cidade, e é a maneira mais eficiente de ir de um lado para o outro. É a principal recomendação de transporte – e a maior de todas é que você faça um Oyster Card.

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O Oyster Card nada mais é do que um cartão que você coloca um depósito e usa nos serviços de metrô, ônibus, trens, London Overground e todo o tipo de serviço de transporte que utilizar. Você pode usar o sistema de pay-as-you-go, que nada mais é do que um pré-pago. O sistema de transporte de Londres é separado em zonas, e o Oyster card opera com um teto diário: se você ultrapassar o valor de transporte de cada zona em um dia, nada mais é descontado naquele período de 24 horas. Vale a pena conferir a tabela de valores, que também estará disponibilizada logo no aeroporto de Heathrow.

Com o Oyster, você também pode optar por Travelcards, pelos quais você paga um valor fixo por um período determinado de tempo e pode transitar livremente em zonas limitadas. É bastante proveitoso se você ficar de fato restrito às áreas específicas, mas limita o usuário se quiser explorar um pouco mais a cidade e ter mais flexibilidade.

Os ônibus também são uma ótima forma de se transportar pela cidade. Caso saia de noite e o metrô esteja fechado, há diversas linhas que se estendem por toda a capital britânica, e a melhor coisa: eles não atrasam. A pontualidade britânica é bem fundamentada, e basta uma olhada no aplicativo CityMapper para se programar e pegar o transporte.

Dia 1 – St. James’s Park e Green Park > Buckingham Palace > Parlamento e Big Ben > Abadia de Westminster > London Eye: no primeiro dia, a melhor sugestão é matar de cara todos os programas turísticos mais “caretões”, por assim dizer. Você consegue facilmente caminhar pelos belos parques que cercam o Buckingham Palace, o Green Park e St. James Park, desfrutando do contraste da realeza com aquela natureza presente no The Mall.

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Uma recomendação fica por conta do Churchill War Room, um museu dedicado ao célebre primeiro ministro britânico durante a Segunda Guerra Mundial, colado no St. James’s Park já chegando no Big Ben. É interativo, bastante informativo e te colocar no literal lugar nos quais Winston Churchill esteve há quase 80 anos atrás. É um museu pago, mas se estiver com um pouco mais de dinheiro e tempo, vale o investimento.

De lá, você consegue chegar rapidamente no Big Ben e nos prédios do Parlamento, dois dos pontos turísticos mais famosos do mundo! É a hora de sacar a câmera, tirar aquelas fotos para guardar de recordação e desfrutar a vista do rio Tâmisa correndo logo a sua frente. Nessa mesma região de Westminster, a Abadia de Westminster, considerada a igreja mais importante não só de Londres, mas da Inglaterra. A entrada é paga, mas o passeio passa pelas cerimônias religiosas de gerações e gerações de reis da Inglaterra, dando um peso e profundidade histórica que os fascinados pela matéria não podem perder.

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Para terminar esse passeio, é só cruzar Westminster Bridge para conferir o famoso London Eye, a roda gigante na beira do Tâmisa que dá uma visão panorâmica da cidade. Infelizmente, o valor é um pouco salgado, mas se você não abre mão de ver as grandes cidades de cima, é o programa para você.

Em um dia você consegue caminhar por todas essas regiões turísticas sem problemas. Se você for devagar, com calma, aproveitando tudo, é bem possível que já seja noite e você queira aproveitar algo mais calmo, comer e beber. Pois bem, é muito fácil encontrar pubs por toda a cidade, então a dica fica por conta dos bares mais descolados em Covent Garden, que conta com diversos bistrôs, restaurantes – e uma incrível feira durante o dia.

Dia 2 – Trafalgar Square > National Gallery > British Museum: um dia praticamente gratuito! Começando pelo Trafalgar Square, que é razoavelmente perto da região de Westminster, você se depara logo com os leões cercando a Nelson’s Column, uma das estátuas mais célebres da cidade em homenagem ao almirante morto na Batalha de Trafalgar, em 1805. Logo atrás, há um museu gratuito para desfrutar, a National Gallery, que conta com uma dos maiores acervos de pinturas do mundo. Subindo a Charing Cross Road, você passará por diversas lojas, pela Leicester Square, Covent Garden, e pode ser que você fique bastante tempo explorando seus achados – e isso é um dos grandes baratos de Londres.

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Já no final da Charing Cross Road, na altura da estação de metrô Tottenham Court Road, você vira a direita, anda mais umas duas quadras e chega no belíssimo British Museum, que tem em seu acervo centenas e centenas de anos de exploração britânica pelas mais diversas culturas. Lá que está também a Pedra de Rosetta, utilizada para a compreensão dos hieróglifos egípcios.

Depois desse passeio, você pode aproveitar a noite do Soho, coladinho com Tottenham Court Road, com uma pá de bares, bistrôs e restaurantes, basta encontrar aquele que mais te atrai!

Dia 3 – Leicester Square > Chinatown > Piccadilly Circus > Carnaby Street > Oxford Street > Camden Town: é mais um dia de passeios por regiões próximas, e um dos dias mais leves em relação ao conteúdo dos programas. Começando por Leicester Square, você pode aproveitar e ver se não há alguma promoção para um dos musicais em cartaz; volta e meia você consegue um desconto em espetáculos que já estão no palco há mais tempo – eu consegui ver a montagem de Les Misérables por meras £40! De lá, você já caminha por Chinatown e Piccadilly Circus, aproveitando o distrito dos teatros e se aproximando da Regent Street e Carnaby Street, ruas movimentadíssimas, recheadas de turistas, com muitas lojas e opções de comida. Carnaby Street, por sinal, era um dos símbolos da cena britânica dos anos 60 e 70, sendo considerada a rua da moda da época.

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No final do dia, vale a pena ir para o boêmio bairro de Camden: basta pegar a Northern Line e subir! Em Camden Town você encontra bares com música ao vivo, pubs temáticos e diversas intervenções artísticas. É um baita passeio que, inclusive, vale a pena repetir de dia!

Dia 4 – Tower Bridge > Tower of London > St. Paul’s Cathedral > Museum of London: no quarto dia, o ideal é aproveitar as energias recarregadas de um dia leve para conhecer mais um pouco da história britânica! A começar pela Tower Bridge, a mais famosa ponte londrina a cruzar o Rio Tâmisa. Você pode chegar pela estação Tower Hill e descer o declive até a beira do rio. Ao lado, você tem a imponente Tower of London, residência real, masmorra e prisão por diversas épocas da monarquia inglesa. Você paga par entrar, mas tem um guia da Guarda Real britânica mostrando todas as nuances históricas, desde a casa onde Isaac Newton residiu por um determinado período até o local da execução de várias das mulheres do Rei Henrique VIII, no século XVI. Um dos passeios mais interessantes e divertidos, diga-se de passagem, mas falar inglês é quase fundamental.

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De lá, vale a pena conferir a St. Paul’s Cathedral, a enorme igreja barroca que serve de sede para o Bispo de Londres. A história do templo é fascinante; já foi destruída e danificada diversas vezes, mas persevera como uma das construções mais bonitas da capital. Alguns passos ao norte, o Museum of London é um museu gratuito que traça toda a história da cidade, desde a sua fundação romana até os dias atuais, numa das minhas exposições permanentes favoritas da cidade.

Dia 5 – Dia livre para fazer o que quiser: apenas para não deixá-los sem qualquer sugestão, esse último dia você pode tanto explorar o lado leste quando oeste da cidade. Para o oeste, se você for fã de Beatles, você pode caminhar na Abbey Road; basta saltar na estação St. John’s Wood, caminhar duas ruas e encontrará dezenas de pessoas tirando fotos—e estressando os motoristas. De lá, você pode voltar um pouco até Baker Street, conhecer o museu do Sherlock Holmes, uma experiência de quatro andares passando por momentos marcantes da obra de Sir Arthur Conan Doyle. É perto, ainda, do Madame Tussauds de Londres, o museu de cera, embora acredite que há coisas mais interessante a se fazer em uma cidade tão plural.

Do lado leste, caminhar pela região de Spitalfields se torna um programa mais interessante se fizer os walking tours do Jack, o Estripador, e conhecer os lugares onde esse célebre assassino cometeu seus terríveis atos. De lá, você conhece o Spitalfields Market, e aproveitar comidas e bebidas na descolada Brick Lane road, um reduto cool na capital britânica.

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Outras dicas – Londres tem tantas opções de turismo que é fácil ficar arrependido de não ter feito alguma delas. Eu sequer mencionei aqui os museus Victoria & Albert, Tate Modern ou Portobello Market. O importante é que você aproveite cada segundo, já se programando e anotando mentalmente sobre o que fazer da próxima vez, ou alterando as sugestões de roteiro dadas aqui para adaptá-las ao seu gosto! Mas uma coisa é certa: você nunca vai ficar sem ter o que fazer em Londres!

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